Releio tudo, da pontada de faca no coração, no estômago, na pele, no âmago, no corpo todo: me incomodo.
Imagino então se todas elas voltassem e me dissessem a verdade, não mentissem, e eu também não mentisse para elas, e pudessemos sorrir e nos sentir como haviamos prometido e mentido.
Escrever isso é o mesmo que cavar fundo atrás de tesouro perdido que nem se tem idéia de onde deixou e mesmo que tivesse acha que não precisa mais voltar atrás a vida de pirata, porque morrer ali só em ilha deserta é estupidamente, e erroneamente também, mais confortavel, palavras da alma num dialeto que ninguém entende.
Amargo querendo que passem outros tratores com nomes terminados em a, para me fazerem dizer coisas num dialeto que só a alma pode explicar, que a gente nunca entende, só sente, delicadamente, subindo na pele, atravessando corpo inteiro, trazendo desejo, desespero, vontade, segredos, paixão, sentido.
E antes que isso possa ficar insuportavel demais e eu não aguente pronunciar mais alguma palavra, que fiquem guardadas todas as palavras ditas e pronunciadas, todas as promessas mentidas e tudo o que o vento, a ausência e a morte não puderem levar, porque ainda que a carne que tenhamos seja passageira, e os gozos também, coisas que transcendem, por surgir como sentimento, ficam no ar, esperando as próximas almas de coração aberto aceitarem aquilo tudo de novo para prometer e tentar não mentir, fazer eterno, mesmo que no fundo nunca seja.
TRA-21:52 29/12/2006

Um comentário:
não é só de macarrão que em sua mão a letra ganha sentido
traçe um traço próprio
e não se embaraçe
se um dia me ouvir tocar
aquele verso perdido e com medo
que ninguém quis rimAR
aeuhahea
a rima final foi inevitável!
bj
ah
e feliz ano novo
seja lá que ano for..
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