Satisfação
Queria falar do gozo
do gosto
da satisfação
do desejo
do ensejo
e versejar
carnavalescamente
sobre o sabor
da boca e do corpo
Mas ultimamente
Minha mente
Reticente
Não consegue versejar
Torpe que fica
Estupidamente
Buscando eletrificar
Os carnavais de antigamente...
tuyo
O Vazio Cego do Medo da Luz do Lado Escuro
Happiness, Carnaval e Quarta-feira de cinzas...
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
"Subiu a montanha, imitou a imagem. Abriu os seus braços, gritou pruma ave. Quem voa de volta é o filho de Deus." (NR)
salto
Pessoas fazem coisas estúpidas, pensou. Será assim até o fim dos tempos.
Lá de cima vislumbrava o movimento dos passantes sem rumo por ruas, vielas e esquinas.
Vento cortava cortante a zunir nos ouvidos: no topo do mundo, cidade sem fim.
O terno amarrotava, lá em cima fazia frio, mas o suor encharcava o rosto, precipitava.
Só mais um passo, mais um segundo, rumo torpe ao fatal destino: asfalto.
De lá do alto, uma pessoa, mais uma: a fazer coisas estúpidas. Constatou.
Lembrou da dança do cisne negro, aquela mesma que prenuncia sua morte, largou mão da sorte: se jogou.
Imitou uma imagem, gritou pruma ave: quem voa de volta é o que nunca voou.
tuiu
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Demolição
Deixa-me apoiar a cabeça no teu ombro
Só assim pra segurar os escombros
Do que sobrara de mim...
tuyo
Só assim pra segurar os escombros
Do que sobrara de mim...
tuyo
"Com malícia..." (JB)
Malícia de carnaval
E hei-de provar!
tuyo
tuyo
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
...sim! [repost - setembro 19, 2009]
Imagem: o estrangeiro por francisco mendes
Quero tudo que não mais importa: do riso falso às lágrimas de crocodilo.
Quero a demência dos loucos, a audácia dos bandidos, e as ilusões dos enamorados.
Quero tudo que já não faz falta, tudo que foi guardado e esquecido.
Quero o mofo, o bolor do pão não comido, por consequência mal-amado…
Quero acordar com certeza de que me entupi de cigarros e só o fiz porque na vida não há mesmo graça
Só a desgraça do câncer na garganta e não poder mais cantar as canções do Gainsbourg em francês mal falado
Quero nascer de novo, só pra morrer atropelado e ouvir no rádio, como espírito, dizerem meu nome errado
Quero me fazer entendido, depois enterrado
Quero me fazer esquecido, depois relembrado
Quero me fazer fictício, ter me reinventado da maneira que sempre sonhei:
Um poeta rebelde apaixonado pela cor vermelha com todas as mulheres do mundo a seus pés
Que virou rei de seu país e foi pra África exilado porque bebeu demais com dinheiro público
Quero tudo que não mais importa: a glória do drible bonito e do gol de mão não anulado
Depois –sim– quero tudo de volta: o que espalhei por aí do primeiro verso ao derradeiro fim
Como se houvesse…
…
tuiu[sempre ele...¬¬]
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
"Até não mais, eu resolvi partir..." (K.R.)
amorreu de velho
Amanhã de manhã farão falta:
meu cheiro
minhas botas sujas de lama
e o barulho das minhas batidas na porta
Você dormirá inquieta me esperando aparecer
Ouvirá os arbustos a arranhar sua janela
e lembrará as minhas unhas a arranhar teu corpo
Fará calor, mas ainda assim desejará suar abraçada aos travesseiros
como a sentir minha pele roçando a tua
Fui, saí porta a fora pra nunca mais
Você duvida
Passarão dias e noites sem que eu diga nada
Semanas, meses, anos, séculos:
Pro seu tempo, eternidade
Até que um caixeiro viajante
Perdido na floresta onde você se afundou
Descobre teu casebre
Bate na portas três vezes
Do mesmo modo que há muitos anos costumei fazer
Abalado pela idade teu coração palpita acelerado
Já era tarde
Muito tarde
E ao pensar que eu havia voltado:
Parou.
tuiu
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