*Canção eterna do nunca mais*
Eu já nem quero mais, nem queria.
Porque o espelho me disse, só por isso.
Teimosia. Não posso?
Pintei de preto por raiva mesmo.
Queria mais? Mais o que?
Desculpas não peço, nem com arma na cabeça ou corda no pescoço
Atravesso assim até ser atropelada.
Atravesso sim, até pintar o asfalto de vermelho.
Leio no escuro até ficar cega.
Paro de comer até ficar pálida...
E Nunca mais, nem queria mesmo.
Pintei de preto por raiva mesmo.
Pintei de preto por vontade de esconder também.
Eu nem queria, esses teus olhos, esse teu cheiro, nem queria.
Não te beijo, nem te olho, nem te peço, nem te imploro, nunca mais.
E nem peça, eu não cedo.
Me destruo mas não concedo.
E fica em paz, se houver sua paz longe de mim, e não tem, eu sei.
Nunca mais.
TRA-23:27-7/11/2006
*Chrise existêncial*
Ele morreu, minha culpa, peço desculpas, ele morreu
Disse até mais tarde, ele respondeu: até nunca, e nunca mais
Até o dia em que nos cruzamos, dois dias atrás, e ele morreu
No meio de uma avenida movimentada as duas da manhã, atropelei
Caiu no chão como um pacote cheio de pão
Sangrava como criança chorando por comida
Pedia desculpas, não adiantava, sangrava
E eu chorava também como quem não tivesse culpa
Mas tinha bebido umas 20 garrafas
Passei do ponto, sempre exagerava nessas horas
Não teve jeito, assassino, sangue frio, contramão
Eu só queria voltar pra casa, disse ao guarda
Quase paro na prisão, olhou minha cara de quem tinha se cagado
Me deu agua, pediu para ter calma e explicar a situação
Faz um quatro, e não parava em pé
Um dezesseis, pior ainda
Preso, passei noite num chão cinza de poeira
Ouvindo os ratos fazerem festa
E os gritos da cela ao lado onde um sofria estupro
E eu me sentindo o mais culpado, ainda cagado de medo
Paga a fiança pude ver luz do dia
Mas por vergonha nem olhei pro sol
Tentei me atirar na frente de um carro
Mas lembrei que era errado fazer alguem sofrer como eu
Assumi culpa, em cartório, em juízo, televisão
Valeria mentir, dizer que não, que não bebi?
Só se fosse pra matar a alma ainda mais
Desaprendi a andar
Desaprendi a andar de carro
Engatinhava que nem macaco
Comia resto que nem um porco
Inexistia
Até que parei em hospicio
Esquecido por familia, amigos e namorada
Não restou mais nada, bem feito pra mim que tinha bebido
Mesmo sabendo que o motorista era outro
Que eu assumi culpa pra safar pai de familia
Recem casado e com uma filha, vida inteira pela frente
Eu vagabundo, jogado no mundo como quem não quer nada
Com egoismo diria que não valeu a pena
Com altruismo daria sorriso de alegria
Se pudesse faze-lo.
Tetraplégico numa cadeira de rodas querendo me afogar na piscina...
TRA 03:05 2/11/2006
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O trabalho O Vazio Cego do Medo da Luz do Lado Escuro de Túlio D'El-Rey Almeida foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
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Um comentário:
acho que vc vai enjoar de ler meus comentarios dizendo o quanto gosto de seus textos... escreva um ruim... so um pra eu dizer que n gostei... rsrs
sempre bom passar aqui
beijoka
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