"- Li tudo e deu vontade de cometer um assassinato.
Tá, admito: assassinei.
Mas se Eva agiu de maneira estúpida, fazer o que? Aquele olhar dela recheado de estrabismo me incomodava, foda, muito foda.
E não sabia dizer meu nome direito. Qual a dificuldade em falar maicousuel?É muito mais dificil dizer maiquissuel...
Não, nem foi isso que me fez matar a Eva. A verdade é que ela sempre foi uma vadia. Respirava pesado, incomodava, roncava as vezes, não me deixava dormir. Também não sabia raspar a xana, e eu aprendi a gostar da coisa assim: raspada.
O pai dela sempre me detestou, chegou a me expulsar uma vez lá da casa, dizia que eu não prestava pra filha loirinha dele, que pau que nasce torto nunca que se endireitava, e o meu nem pendia prum algulo grande assim.
Foi vingança do velho também, eu já tinha deixado ela grávida e sumi no mundo. Ontem, quando voltei, quando vi a cara do pivete no bercinho dormindo, e ela me viu e sorriu que nem uma porca quando vê lama; foi só pra me vingar dela. Porque Eva nunca prestou, porque o pai dela também não prestava. Porque eu fazia tudo por aqueles dois, porque o velho me sacaneava e usava minha grana pra encher o rabo de cachaça e sair com a maria fumaça, a véia mais rodada da rua dele.
Gente como Eva devia sumir assim do nada, não devia ser crime o q eu eu fiz, devia ser favor. O mundo devia me agradecer, eu cortei o mal pela garganta, bem na jugular.
Peguei o menino, que tinha mesmo um sorriso lindo, o mesmo sorriso que ela tinha, o que havia me feito ficar com ela naquele dia. Não foi só o sorriso,né? Era o tudo, mas o sorriso vinha na frente. Ela inteira era uma escola de samba desfilando, e o sorriso era justamente o abre-alas, era o que nos fazia cair de quatro aos pés dela. Ela mexia os quadris de uma maneira mágica, como se não fosse mesmo daqui, como se na terra tivesse de passagem, deixando besta os homens.
Ela gostou de mim de cara porque eu disse que não acreditava.
Ela sorriu bonito, como sabia.
Sambou bonito sorrindo, como sabia mais ainda.
Me deixou louco, me fez roubar um beijo de supetão na frente do namorado dela. Um playboyzinho que não sabia entender o que ela precisava, até ali eu não tinha vivido coisa algum. Somente eu sabia do que ela precisava, o que ela boca queria, o que aquele corpo ansiava.
O problema todo aconteceu quando eu vi que ela era uma burra. Que não ia aprender mesmo, ficaria se batendo por aí com qualquer cara, quando tudo que ela precisava estava em mim.
O velho não foi com minha cara. Primeiro porque, depois descobri, ele ganhava uma grana enorme em cima dela, fazia fila pra velharada ficar vendo a menina nua e até já tinha apostava umas várias vezes no pôquer o corpo da menina. Eva só tinha 15 anos, porra!
Eu gritei pra ele quando descobri, já tinha percebi as marcas estranhas que ela trazia nas costas, no ventre e nos quadris. Coisa de velho doido, coisa que o pai dela, filho da puta, fez.
Eva chorou quando sentiu a minha faca nela. Só disse uma frase: cuide do menino.
Foi o que fiz, respeitei o direito dela.
O velho chorou e gritou com a voz do demo: Ah! Sacana, filho de uma égua! Vou te matar, tu e seu filho! PORRA!
Velho de merda, não guentou o tranco da filhinha morta e morreu ali mesmo, com um piripaque de velho no coração.
Eu levei o menino pro Sul, cresceu lá vivendo comigo e com a Matilde,uma coroa que dava grana pra mim em troca de sexo. Vivia cheia do pó, eu tinha medo do menino experimentar aquilo. Pedro era curioso, a velha andava pelada pela casa. Quando o guri fez 13 vi a escrota dando pra ele. Não preciso dizer que quebrei a velha toda, né? Eu me sacrificava porque tinha feito muita merda antes, mas o menino não. A PORRA DO MENINO NÃO!
Ela tinha contado tudo, que eu tinha matado a mãe dele, que eu era um sacana e devia satisfação ao garoto.
Foi o que ele fez, pediu preu me entregar a policia. E fiz.
Assumi a culpa toda por tudo, não me arrependo muito, só pelo fato de ele nunca ter vindo me visitar. Mas dou razão. Só queria ter noticias dele. Rezo toda noite pelo menino, que tenha tido juízo, que tenha arranjado família séria.
Que tenha uma mulher diferente da mãe e tenha alma boa, diferente do pai.
É isso,tá bom? É tudo que tenho pra dizer de minha vida, o bastante, eu acho."
Tá, admito: assassinei.
Mas se Eva agiu de maneira estúpida, fazer o que? Aquele olhar dela recheado de estrabismo me incomodava, foda, muito foda.
E não sabia dizer meu nome direito. Qual a dificuldade em falar maicousuel?É muito mais dificil dizer maiquissuel...
Não, nem foi isso que me fez matar a Eva. A verdade é que ela sempre foi uma vadia. Respirava pesado, incomodava, roncava as vezes, não me deixava dormir. Também não sabia raspar a xana, e eu aprendi a gostar da coisa assim: raspada.
O pai dela sempre me detestou, chegou a me expulsar uma vez lá da casa, dizia que eu não prestava pra filha loirinha dele, que pau que nasce torto nunca que se endireitava, e o meu nem pendia prum algulo grande assim.
Foi vingança do velho também, eu já tinha deixado ela grávida e sumi no mundo. Ontem, quando voltei, quando vi a cara do pivete no bercinho dormindo, e ela me viu e sorriu que nem uma porca quando vê lama; foi só pra me vingar dela. Porque Eva nunca prestou, porque o pai dela também não prestava. Porque eu fazia tudo por aqueles dois, porque o velho me sacaneava e usava minha grana pra encher o rabo de cachaça e sair com a maria fumaça, a véia mais rodada da rua dele.
Gente como Eva devia sumir assim do nada, não devia ser crime o q eu eu fiz, devia ser favor. O mundo devia me agradecer, eu cortei o mal pela garganta, bem na jugular.
Peguei o menino, que tinha mesmo um sorriso lindo, o mesmo sorriso que ela tinha, o que havia me feito ficar com ela naquele dia. Não foi só o sorriso,né? Era o tudo, mas o sorriso vinha na frente. Ela inteira era uma escola de samba desfilando, e o sorriso era justamente o abre-alas, era o que nos fazia cair de quatro aos pés dela. Ela mexia os quadris de uma maneira mágica, como se não fosse mesmo daqui, como se na terra tivesse de passagem, deixando besta os homens.
Ela gostou de mim de cara porque eu disse que não acreditava.
Ela sorriu bonito, como sabia.
Sambou bonito sorrindo, como sabia mais ainda.
Me deixou louco, me fez roubar um beijo de supetão na frente do namorado dela. Um playboyzinho que não sabia entender o que ela precisava, até ali eu não tinha vivido coisa algum. Somente eu sabia do que ela precisava, o que ela boca queria, o que aquele corpo ansiava.
O problema todo aconteceu quando eu vi que ela era uma burra. Que não ia aprender mesmo, ficaria se batendo por aí com qualquer cara, quando tudo que ela precisava estava em mim.
O velho não foi com minha cara. Primeiro porque, depois descobri, ele ganhava uma grana enorme em cima dela, fazia fila pra velharada ficar vendo a menina nua e até já tinha apostava umas várias vezes no pôquer o corpo da menina. Eva só tinha 15 anos, porra!
Eu gritei pra ele quando descobri, já tinha percebi as marcas estranhas que ela trazia nas costas, no ventre e nos quadris. Coisa de velho doido, coisa que o pai dela, filho da puta, fez.
Eva chorou quando sentiu a minha faca nela. Só disse uma frase: cuide do menino.
Foi o que fiz, respeitei o direito dela.
O velho chorou e gritou com a voz do demo: Ah! Sacana, filho de uma égua! Vou te matar, tu e seu filho! PORRA!
Velho de merda, não guentou o tranco da filhinha morta e morreu ali mesmo, com um piripaque de velho no coração.
Eu levei o menino pro Sul, cresceu lá vivendo comigo e com a Matilde,uma coroa que dava grana pra mim em troca de sexo. Vivia cheia do pó, eu tinha medo do menino experimentar aquilo. Pedro era curioso, a velha andava pelada pela casa. Quando o guri fez 13 vi a escrota dando pra ele. Não preciso dizer que quebrei a velha toda, né? Eu me sacrificava porque tinha feito muita merda antes, mas o menino não. A PORRA DO MENINO NÃO!
Ela tinha contado tudo, que eu tinha matado a mãe dele, que eu era um sacana e devia satisfação ao garoto.
Foi o que ele fez, pediu preu me entregar a policia. E fiz.
Assumi a culpa toda por tudo, não me arrependo muito, só pelo fato de ele nunca ter vindo me visitar. Mas dou razão. Só queria ter noticias dele. Rezo toda noite pelo menino, que tenha tido juízo, que tenha arranjado família séria.
Que tenha uma mulher diferente da mãe e tenha alma boa, diferente do pai.
É isso,tá bom? É tudo que tenho pra dizer de minha vida, o bastante, eu acho."
tuiu

4 comentários:
xana? maria fumaça?ficou forçado.mas só isso.muito bom.bem melhor do que achei quando você me contou.gostei mesmo desse.(mas você é poeta, não contista, viva com isso.)ah, postei.não porque vc mandou, claro.ha.
Munanga, li o texto anterior a esse, gostei.Mas esse parei rapidinho...ou tô véia ou essa letra é f...!:/Seu blog é...esteticamente inovador.Os futuros críticos bloguísticos irão considerá-lo um divisor de águas!"Munanga era um cara a frente do seu tempo, enquanto suas coleguinhas postavam na moeda corrente e até underground (Bruna Lombardi) ele teve o "felling" do que passaria a acontecer com 10 anos de bônus!"New York Times:P
hahahaadorei o comentário de keka.De fato, Munanga é um cara a frente do seu tempo... Mas no tempo atual estou roxa de saudade dele cara!!=DE Nina, ele é muito mais que um poeta, ele é músico, e contista também... não escute ela Guto...Quem ela pensa que é?rsamo.
GUTO! minhas aulas de planejamento grafico em jornalismo devem servir pra algo. é impossivel ler esse texto! vc tem q usar letras que o olho esta acostumado a ler.. as romanas, egipcias... as classicas. o cerebro ja completa e a leitura flui. essa nao da. essa só para pequenas chamadas...mas texto grande nao da. parei na 2 linha. mas ainda quero le-lo!!claro que isso era saudade de encher seu saco tambem.besitos
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