"Como não adianta abrir os olhos se não vejo coisa alguma, tatei as sombras que passam por mim desenfreadamente. Um turbilhão de gente aos tropeços, como no vai e vem de um metrô; coisa que ainda não tem nessa cidade. Impreciso a hora, impreciso o dia, pormenores outrora óbvios me escapam, sou só mais um: sem nome, raça ou religião. Só mais dentre os outros: outro. Sabe aquela incompletude, me indagam, agora eu sei como é isso o tempo todo, a gente sabe, completo, é a gente sabe, replica. Tudo se torna total indiferença, tudo e todos perdidos, ali no canto eu sei que tem gente que não, que tem gente fingindo ser o que não é, pra não se perder como a gente. Tinha tanto troço escrito, tanta coisa que deixei pra me lembrar e agora não posso, porque abrir os olhos adianta nada. E sonho as vezes que enxergo, aconteceu duas vezes, e eu fugia daqui. Mas lá fora eu piorava, nada pior do que ver o que ninguém vê, é doloroso isso. Sentir-se louco..." tuiu

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