sexta-feira, 25 de abril de 2008




Grapefruit


Os trejeitos estranhos alinhar o cabelo, a roupa sempre desengonçada, a barba mal feita, o sorriso torto: a mesma cara no espelho por mais de vinte anos. Tipo irracional que finge ter pulado dos livros pra vida mas no fundo é só mais um serzinho idiota que definitivamente não presta: algumas namoradas no currículo pra confirmar. Vinha com um símbolo na testa avisando que queria dominar o mundo, mas nunca aconteceria porque sempre foi mesmo um idiota de merda, cafajeste do tipo que realmente não presta, e nunca prestaria. Andava meio arrastado, fazendo um "tchaq" a cada passo arrastado que dava. Arrancava sorrizinhos e as vezes suspiros das meninas idiotas que não sabia entender seu ar mal respirado e sua aparência de pão adormecido. Garotas estúpidas gostam de cair no mesmo erro que chamam de namorado.
Grapefruit, adorava dizer de boca cheia que tinha como comida preferida a porra do grapefruit.
Ática era das meninas bonitas do mundo, que enchiam olhos, sonhos, corações e coisas assim dos rapazes. Ática um dia se esbarrou com o menino fo grapefruit:
Não olha por onde anda, idiota?
Não quando a única coisa em minha frente é você.
Ática caiu nessa cantada idiota, acredite.
Ática terminou grávida do idiota do grapefruit, foi a única que deu o azar de aglutinar em si a essência corpórea dele.
Precisa dizer que o cara do grapefruit sumiu no mundo e jurou de pé junto que a criança não poderia ser dele?
Ática sozinha no mundo com uma criança estúpida no vente.
22 de outubro de 1989, nasce uma menina de olhos azuis iguais aos de Ática que acaba tendo o mesmo nome da avô: Cânfora.
Cânfora era uma criança especial, parecia não ter pai, aqueles traços idiotas todos dele não ficaram nela, exceto a predileção por grapefruit.
E quando a garota já estava com 15 anos aparece acompanhada de um cara, lá com seus 35 que havia conhecido no mercado e que assim como ela, amava grapefruit.
Sim, era o pai.
Entrou na cozinha e se ajoelhou: Ática, case comigo!
Você não se enxerga?
Não quando a única coisa em minha frente é você.
Sim! Colou de novo...
Cânfora ganhou um irmão: Pardo.
Foram mesmo uma família feliz. O cara do Grapefruit era bom pai, sabia dizer coisas legais pros filhos nas horas que eles precisavam, e também era responsável com as coisas da casa, sabia dar valor a sua mulher e ama-la como ela nunca imaginou que ele fizesse.
Até o dia em que ele não voltou pra casa.
E Ática perdeu os cabelos, e Cânfora inventou um pai imaginário, e Pardo se trancou no quarto pra nunca mais.
A casa foi ficando em pedaços...
Cânfora foi ficando feita...
Pardo... Se trancou no quarto e nunca mais.
Passou bastante tempo, talvez uns 15 anos.
Um velho bate a porta:
Voltei!
Uma idosa de crepita
Uma coroa encalhada
e um quarto trancado.
Ninguém disse coisa alguma, a poltrona estava no mesmo lugar de sempre.
A rotina da familia voltou, com um déficit gigantesco, mas voltou.
E todos morreram feliz numa plantação de grapefruit no Sul do Paraná.

tuiu

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O trabalho O Vazio Cego do Medo da Luz do Lado Escuro de Túlio D'El-Rey Almeida foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
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