Um rastro de giz na parede do quarto.
Mamãe na cozinha preparando o macarrão.
Papai no trabalho discutindo numeros e frações.
Um crayon quebrado com os dentinhos de leite.
Mamãe colocando o macarrão na mesa.
Papai saindo do trabalho apressado.
Os pezinhos andando devagar pelo corredor.
Mamãe chamando: filhinho!
Papai abrindo a porta da frente.
Um balbucio inocente enchendo a casa:
Manhê! Olha o sol!
Mamãe e papai se olhando: lembra?
As cartas aparecendo magicamente
Um amor velho reflorescendo
Papai e mamãe ensinando o filhinho a viver de amor
Filhinho fazendo poesia...
TRA-18:58 18/6/2007
Um poeta morto no meio do asfalto com o coração arrancado a dentadas.
Ninguem perguntava pelo rosto que ele viria a ter ou pelo gosto de um beijo que nunca deu.
Não era um poeta morto no meio do asfalto com o coração arrancado a dentadas, era um idiota que costumava dizer que falava com o coração e colocava tudo em versos.
Futuramente não vai restar nada, talvez só as notas do jornal anunciando uma perda quase irreparavel... Ah! Um homenzinho.
Amanhã haverá um velório vazio, numa vala comum de um cemitério qualquer em uma cidade mestiça da América do Sul.
O poeta morto no meio do asfalto tem um nome que não se pode revelar, mas todos sabem.
O poeta morto vestia-se de azul as vezes.
O poeta morto tinha o coração como guia e os versos como expressão.
Mas o poeta morto está morto e sua boca não dirá mais nada.
Seu coração congelado numa gaveta escura cheio de poeira.
Seus filhos todos mortos na fonte.
O poeta morto grita o próprio nome a fim de saberem quem foi:
TRA-18:53 18/6/2007
Você afasta minha loucura, eu agradeço.
Estava escrito na parede do metrô que Salvador ainda não tinha.
Eles dois sabem entender.
19:01 18/6/2007

2 comentários:
finalmente!
Pq eu sempre gosto??? hahaha
bjo de sua amiga extremamente gripada!
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