deserto do Atacama[Atenção: História muitissimo mal contada, leia por sua conta e risco!]
Tinham as histórias: do homem nu, do homem fraco e do homem perdido no meio da montanha. Mas eu prefiro a história do labirinto perdido no deserto do atacama e as imagens que essa história me remete.
O deserto do Atacama é seco, deserto.
Não chove há mais de 500 anos, dizem.
As casas não têm teto.
Há um labirinto no meio do deserto.
No meio do deserto há um lábirinto, e dizem que pedra também.
Pessoas pregadas em cruzes correndo atrás de agua e eu cuspindo sede na pia, porque eu não sei nada da ignorância da fome e da falta d'agua: mais um menino branco, dizem por aí.
E nesse papo de ser mais um menino branco talvez não sirva pra escrever nada, porque sou só mais um: menino branco; e no Atacama não existem meninos brancos, eu não acredito; mas dizem.
Então me vem a memória o labirinto, e Borges saberia contar essa história muito bem, de como há milhares de anos um povo esquecido construiu um labirinto de magnitude gigantesca que nem o raio laser pode desenhar(não quis mencionar os incas e não tenho a resposta para isso) e um homem desses do deserto do Atacama, que certa feita passou as férias em Machu Picchu, achou bonito, e foi a Nazca onde viu os tais desenhos que o raio laser não saberia desenhar(não que eu entenda profundamente de tecnologia, sei que os raios lasers desenham; mas eu não quero falar de apurações cientificas, não importam) e voltando pra sua casa sem telhado, pro seu deserto amado onde não chove há mais de 500 anos, achou importante criar um totem, um marco, um simbolo gigantesco para mostrar ao mundo. Levou 120 anos para construir o tal labirinto que eu falei, fez tudo sozinho, com um pouco de ajuda do filho mais velho, naquele tempo os homens viviam mais: resquicios de um tradição da biblia(eu acho, vide Matusalém).
A verdade,no entanto, é que o objetivo não era criar mais uma maravilha. Não, longe disso, era tudo um plano macabro contra os meninos brancos que não existem mais no Atacama; só eu que escapei para escrever essa história e pronto, a fim de que esse crime não fique impune; até fico triste de saber que logo após o ultimo ponto final da história eu morro(contece).
Óbvio que faz muito tempo e minha memória curta me impede de falar muito mais, até porque não teria graça revelar tudo. Mas procurem lá no deserto, bem no meio assim tem um labirinto, cavem que vai estar cheio de ossos de meninos brancos que morreram de fome e sede no meio do deserto; essa história ninguém conta porque não tem graça: Ah! Meninos brancos morrendo de fome no deserto do Atacama? Qual a graça disso? Se ainda fossem índios...
E não discordo disso, apenas peço que procurem, tirem uma foto e escrevam embaixo:
Labirinto no deserto do Atacama, genocidio de meninos brancos, história mal contada.
TRA-22:56 22/6/2007
Tigresa
O beijo dela era um golpe seco na garganta de qualquer um, tinha um jeito estranho de dizer te amo, com palavras curtas na hora de fazer amor.
Acendia um cigarro displicentemente, do mesmo jeito que falava coisas banais e pequenas como se estivesse instantaneamente recitando poesias. As unhas todas pintadas nas mãos e nos pés; um perfume forte exalava veneno, tão forte que lá na esquina já sentiam que ela chegava, e o corpo dele ,5 minutos antes, se arrepiava como se a aura dela se atirasse sobre ele após o primeiro passo na calçada da rua dos fortes.
Rabiscando um papel amarelado ele mal se aguentava em pé, temia a chegada e ao mesmo tempo adorava aquilo tudo, o jeito que ela sorria e olhava para ele e dizia uma coisa com veemência depois desconversava, assim ia e voltava sempre.
Não queria saber como funcionavam as coisas com ela em casa, se o outro babaca era cumplice ou não dos assassinatos que ela cometia a revelia sob a escuridão da cidade; era tudo simples aos olhos dele: troca de prazer e lembrança do seio materno na infância, tudo resumia-se a freudiana relação entre mãe e filho na cabeça dele.
Certa vez, nas docas, vendo um barco que partia no raiar da alvorada, ele resolveu dizer que sentia vontade de se matar; pensou que ela fosse repreender, achou que depois de duas madrugadas sujas num motel barato seria amor; e ela disse: vai, se joga no mar e afunda logo, apagou um cigarro com toda calma como se estivesse pedindo uma bala de hortelã.
Ela não o amava, acabou.
Só ele que era burro pra não entender que ela amava outro, sua entregava a vários não o incomodava, porque o importante pro maridinho era ela voltar pra casa: aninhar-se nas pernas dele como uma gata no cio até o sol incomodar a vista invadindo o quarto-e-sala.
Já faziam 5 meses quase que se encontravam e houveram diversas tentativas de suicidio por parte dele só para ver se ela amava, se ao menos diria: não, não vai.
Valia alguma coisa dizer que ela não se importava?
O beijo dela era um golpe seco na garganta e a ulcera o impedia de falar direito: agora vou.
Ela o olhou nos olhos, acreditou no que ele disse: Te amo, e o empurrou no mar, no raiar da alvorada: afunda logo.
Apagou o cigarro displicentemente, chupou uma bala de hortelã e se levantou, pegou o primeiro ônibus e voltou pra casa, pro maridinho sem ciúmes que tanto amava e a tinha entre as pernas como uma gata no cio.
TRA-22:15 22/6/2007

2 comentários:
Quem ler por favor me avisar os erros de acentuação ligados a ortografia, obrigado.
eu sempre aviso e vc me ignora!
0.o
Postar um comentário