sexta-feira, 30 de março de 2007

Gênio da tristeza Ataulfo era um gênio da triste...

Gênio da tristeza


Ataulfo era um gênio da tristeza, sabia fazer pessoas chorar.
Ataulfo assoava gentilmente o nariz das moças que debulhavam-se como carpideiras mais bem pagas do mundo,ou melhor até que as profissionais do choro.
Era incrivel como usando um vocabulario limitado, limitadissimo, o humilde homem fazia multidões inteiras questionarem o próprio sentido da vida, bastava ele subir num palanque, geralmente ao lado de algum politico de interior e dizer, com uma voz rouca e quase muda: sim, vocês.
Pessoas morriam afogadas no próprio choro.
Ataulfo vangloriava-se de seu dom, mas não sabia chorar, segredo que nunca deixou escapar. Imagina se soubessem que o gênio da tristeza, capaz de fazer o luto de multidões, não era capaz de derrubar um gotinha se quer pelos olhos? E todos dias tentava se fazer comover com horas e horas frente ao espelho, e era revoltante ver um reflexo chorando enquanto o pobre homem emputecia-se de não poder chorar.
Cansado dessa sina estranha, Ataulfo encarou como uma punição divina o fato de não chorar e partiu para a promissora carreira de contar piadas, que acabou no primeiro show, onde onze pessoas suicidaram-se, todas onze que estavam presentes.
Não haveria mais jeito, só a morte resolveria, Ataulfo quis se matar.
Seria o fim, nada mais belo e trágico para o gênio da tristeza do que morrer na flor da idade.
Jogou-se de um edificio enorme no meio da avenida Paulista, caiu do lado de uma poça d'agua e ainda agonizando pôde ver sua cara estraçalhada refletida na àgua.
Por incrivel que pareça, antes de morrer Ataulfo chorou de rir.

TRA-20:10-30/3/2007
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Russa


Não gosto dos teus peitos, são de plástico, pagou quanto por eles?
Se eu enfiar uma agulha, vai voar o que?
Nem tenho agulha, queria ter, curiosidade.
E pesa?
Quanto?
Tsc... Tsc... Não gosto dos teus peitos...
Imagina teu filho amamentando? S'eu pudesse escolher, seria só na mamadeira. Que criança iria querer mamar em peitos de plástico? Antes fossem de borracha.
Tó aqui o que eu devo: 100 reais, não pagam nem o esquerdo, né?
Mas tem algo seu que adoro, e compensa os peitos: o jeito que você contrai a sombrancelha sem entender uma palavra do que eu tô dizendo.
Em verdade, se você entendesse metade do que eu digo, eu nem diria nada, seria frio e calculista como qualquer um.
Quem disse que é preciso termos mesma língua pra comunicar?
Bastou uma língua, a minha, pra perceber teus peitos de plástico, que surpresa haverá dentro de sua saia?
Espero que seja realmente uma boca desdentada para eu beijar de língua ou matar a pauladas e não um inimigo acanhado prum duelo de espadas.

TRA-18:48 29/3/2007
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*Petit são*


Quando a gente cresce as vezes a gente morre.
Ficamos sérios, pensamos demais nas coisas obvias e esquecemos de olhar no olho.
E ficamos bravos, brigados, esbravejamos, tendemos a perder a consciência gritando uns com os outros.
Daí tem gente que percebe, após gritar muito com alguém, que tá morto.
E tenta arranjar coisas pra respirar de novo, toma remedio, vai na igreja, frequenta o psicologo, gasta outras pessoas com uma displicência vazia... e não levanta, tende a acostumar-se sendo pedra.
Mas tem gente que cresce e não morre nunca, que não perde no olhar o brilho de criança.
Que sorri quando a chuva cai como se fosse a primeira chuva, que pula nas poças d'agua sem se importar.
Que abraça as outras pessoas e deixa o mundo colorido.
E mesmo assim sabe crescer.

Já eu, quando crescer, não tenho a menor idéia de como ser...

TRA-18:38-29/3/2007
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Os passáros


Seria maravilhoso morarmos na beira de precipicio: com ceuzin azulá diatodo na nossa janela e eu andando sempre de chinelo ou pédizcalço, como os meninos.
Trabalhariamos só o necessário, com sorriso enorme no rosto, tendo noção de dever cumprido, de estar construindo mundo novo todo dia, e os meninos entenderiam só de olhar.
E quando eles crescerem?
Quando eles crescerem ganharão o mundo e escolherão entre a vida de dividas ou viver como a gente, que não devemos mais nada ao mundo de lá.
Caso voltem, será maior alegria do mundo. Se não, ainda assim será alegre, noção de dever cumprido, da consciência de ter ensinado-os a voar.

TRA-18:32 29/3/2007

3 comentários:

[uma antropóloga em marte] disse...

Que saudade de você!!

Mais saudade ainda de devorar essas pequenas letras brancas do teu blog. Digo, uma delícia devora-las!
Um gostinho meio amargo e ao mesmo tempo doce, como de quem brinca com a realidade!

saudade babe,
nem sei qnts dias tem que não nos falamos, mas parece uma infinidade!

beijo beijo

lila disse...

hunf. imagina eu
=(

li os dois primeiros. mas eu volto.
um beijo (grande)

[uma antropóloga em marte] disse...

cadÊ vocÊ?


=*

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