domingo, 12 de junho de 2011

ficção é memória inventada

[Sonhos nunca envelhecem...ainda bem.]

Porque eu já tive lembrança: verdade.
Mas tudo sumiu meio sem que eu percebesse, e aí foi-se o mundo inteiro em pó por onde eu tinha andado.
As vezes via gente e lembrava coisas de ontem ou anteontem em tempo algum.
É esquisito olhar uns rostos e saber que já os viu, mas te escapa o como, quando e onde. Mas foi, eu sei que foi. Ou melhor: parte de mim sabe.
Daí as vezes paro pra tentar lembrar. Começo por um rosto, um desses aí que me remetem.
Tento pegar o sentimento de ver o rosto e depois começo a matutar, esquentando a testa, até não poder mais... E nada.
Então desisto, aí invento.
Dia desses andando na rua vi um mendigo sentado na calçada.
Tinha um rosto daqueles de não sei onde...
Sem pensar, porque se pensasse não tinha dito, indaguei:
Te conheço...
Me olhou como soubesse de algo:
Não, nem existo. Sorriu.
Repliquei: Mas eu te lembro..
Respondeu prontamente:
E quem disse que não?
Sumiu pra nunca mais, só deixou a história... {que nunca existiu}




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O trabalho O Vazio Cego do Medo da Luz do Lado Escuro de Túlio D'El-Rey Almeida foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
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