Não basta dizer que lembra, tem que mostrar que sabe de cor.
Dizer que foi lá em mil novecentos e não sei quando que o fulano estava no alpendre a olhar de cima o mundo todo que tremeluzia como velas brilhantes quase mortas aos seus pés.
Porque memória não é só guardar as coisas em caixinhas preciosas cravejadas com perólas falsas da melhor qualidade, mas sobretudo mostrar que sabe exatamente o código secreto para abrir cada caixa e mostrar o que guardou em cada uma delas.
Não tendo isso, esses recursos maravilhosos, fica dificil dizer que lembra qualquer coisa.
Daí reparo que não lembro exatamente de muita coisa, e muito pouco fica.
Desespero me bate, começo a catar o mundo todo que se avoluma ao meu redor, pego tudo que posso com a mão da cosciência.
Mas este me foge, como a terra que eu tentava guardar nas mãos quando era criança.
Lembro que no fim do dia tudo que sobrava era a sujeira, eliminada instantâneamente na dança da uma lava a outra...
Guardar o impossível, desisto.
Minhas lembranças serão sempre a sujeira que sobra da terra que eu pegava com a mão...
Nisso só sobram os micróbios que atravessam a pele e moram nas frestas que ficam entre os dedos.
Eles são minhas lembranças...
Dizer que foi lá em mil novecentos e não sei quando que o fulano estava no alpendre a olhar de cima o mundo todo que tremeluzia como velas brilhantes quase mortas aos seus pés.
Porque memória não é só guardar as coisas em caixinhas preciosas cravejadas com perólas falsas da melhor qualidade, mas sobretudo mostrar que sabe exatamente o código secreto para abrir cada caixa e mostrar o que guardou em cada uma delas.
Não tendo isso, esses recursos maravilhosos, fica dificil dizer que lembra qualquer coisa.
Daí reparo que não lembro exatamente de muita coisa, e muito pouco fica.
Desespero me bate, começo a catar o mundo todo que se avoluma ao meu redor, pego tudo que posso com a mão da cosciência.
Mas este me foge, como a terra que eu tentava guardar nas mãos quando era criança.
Lembro que no fim do dia tudo que sobrava era a sujeira, eliminada instantâneamente na dança da uma lava a outra...
Guardar o impossível, desisto.
Minhas lembranças serão sempre a sujeira que sobra da terra que eu pegava com a mão...
Nisso só sobram os micróbios que atravessam a pele e moram nas frestas que ficam entre os dedos.
Eles são minhas lembranças...
[tuyo]

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