The death of Chatterton por Henry Wallis
Ele me disse que poeta bom é poeta morto. Por isso nasceu odiando Drummond, e sempre amou Pessoa. Manoel de Barros não presta --ainda não-- dizia sério.
Eu era poeta, escrevia por aí pelas paredes, cansava de mostrar para ele que poesia era coisa viva, que prestava assim também: com o poeta ali criando enquanto o mundo inteiro coava café. Mas era inútil.
Em 1994, enquanto comemorávamos a Copa, ele estava enfurnado no quarto há cerca de um mês apreciando toda a obra de Quintana, que havia começado a prestar naquele ano.
Quando publiquei meu primeiro livro, dei a ele um exemplar que havia acabado de chegar da editora: é, quase bom, só falta você morrer que fica perfeito. E se eu me matasse agora, na sua frente? Poesia pura, replicou. Peguei uma arminha de fogo que levei no bolso --daquelas de mulherzinha de filme americano— e apontei no meio da minha testa. Ele sorriu e retrucou: vai, atira, vira poeta que preste. Pensei um segundo, será que meu último verso será um simples e sonoro BANG na testa?
POETA BOM É POETA MORTO, PORRA!
Tremi, larguei a arma. Ele ria estrondosamente enchendo a sala de agás e ás.
Pífio, ridículo... disse sussurrando. Sabe de uma? Você tá morta pra mim.
E foi assim que de ridículo me tornei poeta que prestasse, ao menos para um louco que outrora chamei de amor.
tuiu


2 comentários:
venha pra cima de mim com draminha que não escreve direito, venha.
¬¬'
bora escrever um livro, eu e você.
Ele era um platônico distorcido: queria expulsar os poetas da república mas também desejava sua poesia.
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