Ni qu'eu fui ela corria cuzóio ardeno, pegano fogo. Mula em labareda rente a me dar lapada, ni qu'eu corri, pulei de vez sobre a noite, como se pudesse voar escuro. Nessa hora qu'ela pegou, rubrou o corpo todo aceso e me encoiceteou forte, fuderoso, golpe à queima ropa, tecido indo todo em labareda, e lá se vai meu corpo...
Sinhá mula nem perdoa, perde a cabeça logo, se emputece em fogo e corre fula atrás da gente. Meu amor, ai que dá medo! Se esconder é perigoso, rastro de povra nervoso, assobia atrás de a gente como se na raiva de ser fogo bem quisesse nos queimar. Raiva do mundo de dar lapada em galo doido, e dói João Jiló!
De mim só cinza, o montinho teimoso fumaçando, na palha seca misparramo como se fosse lar, mas sou vírus: como, moro, destruo. Amulecido sem-cabeça, ponho o mundo a queimar: nervoso, em rastro quente, a cinzantar as almas que me emputecem no caminho... tinhoso.


Um comentário:
saia daqui, seu falso blogueiro!
vá escrever livro, vá.
e me dê um pouco desse ritmo aí.
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