sábado, 21 de março de 2009

Pelos ares...

Totalmente ilusão, são caquinhos de vidro --E meu rosto espelhado em cada um deles-- adornando o tapete da sala.
Ela respira forte, e ele quer senti-la de perto, mas é só ela do outro lado da televisão, e ele cá nos cacos de vidro com os dedos dos pés cortados, por que mereço, se diz.
A mesma fraqueza dos pés, as mesma feridas abertas de novo, o sangue tão vermelho e negro como dantes. Porque amo as dores minhas de cada dia, se responde ouvindo do outro lado a respiração dela que a essa hora invade a sala inteira, e ele se pergunta porque fica ali com os pés espetando em meio àquele delicioso ar fúnebre e não se joga da janela de uma vez? Vigésimo quinto andar, morte certa, tchau e benção.
As curvas do vento passando pelo rosto, ela respira lá em cima, e ele vai pro asfalto, dizer aos anjos que não podia ficar ali, de dedos cortados, se sufocando por ela, pela vigésima vez e meia.

tuiu

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O trabalho O Vazio Cego do Medo da Luz do Lado Escuro de Túlio D'El-Rey Almeida foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
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