Eu tinha que morrer de medo e ficar triste, dizer que era cedo demais pra perder uma coisa que nem ganho havia.
E era a vida, com sucessivas derrapagens, erros de percurso que não acabam mais. As vezes eu penso que em algum momento pedi que fosse assim, e agora calo a boca toda vez que penso alguma besteira.
Doze mil cicatrizes me cobrem o corpo, e sei que ainda vem mais doze mil, e outras doze... e outras doze... e outra dose de doze mil cicatrizes e dores.
As vezes é puro prazer olhar cada uma delas, conta-las, pra ver se estão todas aqui, lembrar de cada corte, deliciar-me com cada história como se eu mesmo fosse um livro aberto ambulante que se arrasta por aí a procura de cacos de vidro pra rolar em cima, ou facas de fino corte que saibam mostrar para que vieram ao mundo.
Você tentaria adivinhar cada história, eu contaria e você ia rir de todas, porque sim, todas são estúpidas, do mesmo jeito que as cartas de amor são ridículas. E ainda assim digo: valeram a pena.
Talvez você diga: peraí, e que raios de gente você é com doze mil cicatrizes marcadas e mais doze mil elevadas a potência, que ainda hão de vir? Não se sente um monte cruzado de coisas que passaram por você como lufadas de ar ignorantes de caminhões atropeladores de gente dos quais não se vê a placa?
Meu silêncio diz mais de mim do que cada uma delas, penso cá com meus botões, e permaneço ali, um livro aberto entrecortado que não diz nada...
E era a vida, com sucessivas derrapagens, erros de percurso que não acabam mais. As vezes eu penso que em algum momento pedi que fosse assim, e agora calo a boca toda vez que penso alguma besteira.
Doze mil cicatrizes me cobrem o corpo, e sei que ainda vem mais doze mil, e outras doze... e outras doze... e outra dose de doze mil cicatrizes e dores.
As vezes é puro prazer olhar cada uma delas, conta-las, pra ver se estão todas aqui, lembrar de cada corte, deliciar-me com cada história como se eu mesmo fosse um livro aberto ambulante que se arrasta por aí a procura de cacos de vidro pra rolar em cima, ou facas de fino corte que saibam mostrar para que vieram ao mundo.
Você tentaria adivinhar cada história, eu contaria e você ia rir de todas, porque sim, todas são estúpidas, do mesmo jeito que as cartas de amor são ridículas. E ainda assim digo: valeram a pena.
Talvez você diga: peraí, e que raios de gente você é com doze mil cicatrizes marcadas e mais doze mil elevadas a potência, que ainda hão de vir? Não se sente um monte cruzado de coisas que passaram por você como lufadas de ar ignorantes de caminhões atropeladores de gente dos quais não se vê a placa?
Meu silêncio diz mais de mim do que cada uma delas, penso cá com meus botões, e permaneço ali, um livro aberto entrecortado que não diz nada...
tuiu

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