terça-feira, 4 de novembro de 2008

"Te ver é uma necessidade, vamos fazer um filme..."(RR)

Edward Hopper - New York Cinema
[quem puder me dar os postais eu agradeço...]


Curto texto curta ou curta texto curto ou texto-curta ou curta-texto...


Acredita, se joga nisso que é profundo,se entende, se compreende, se ilumina.
Atrás vem gente, vem, e como! Mas não se importe com atropelos ou com o que venha a se esbarrar: sem medo, sem medo...
Tantas esquinas, cruzamentos, encruzilhadas, cavernas, montanhas... e morcegos loucos para atacar teu pescoço delicioso.
A história surge assim de tropeços, trancos, barrancos e engrenagens mal colocadas às vezes.
Por momentos parece tudo escrito de antemão, e rezamos pro fim ser lindo, enorme, em letras garrafais.
Aí de repente, assim do nada, vem um silêncio, uma escuridão de cinema no inicio do filme, aquela expectativa do que vem pela frente... Aí ouve lá um cochicho tímido de alguém que estranha tanto silêncio[como eu, por exemplo] e cê abre os olhos, envergonhada de ter acreditado que só ia até ali e pronto, e as bochechas ficam rosadas... Acho lindo essa inocência, me calo, ali na terceira fila, cadeira do meio, e paro boquiaberto a te olhar.
As luzes acendem, todos saem. Filas, cadeiras, todos se confundem, te perco quando atravessa o corredor. Mas guardo em mim aquele momento, das bochechas rosadas com o abrir dos olhos, do mágico momento em que eu simplesmente entendi que é quando os olhos abrem que a gente vê a graça das coisas, quando as cores incríveis de uma pele rosada brilham em tecnicolor diante de mim e eu posso escrever como se fosse filme.
A Cardinale entenderia se eu a esquecesse, até mesmo a Bardot, que cá entre nós, envelheceu antes dos nossos sonhos, como disse o Tom Zé...
Se estivesse lendo isso agora, até se perguntaria: onde diabos ele quer chegar?
Se eu pudesse responder, pra você escutar agora, diria: nas bochechas rosadas e inesquecíveis, no abrir de olhos devastador, naquelas cores que se abrem em tecnicolor e invadem tudo, fugindo até da escuridão da sala, para caberem em mim, na tela eternizante do meu desejo, que não apaga nunca aquilo que só eu vi e resolvi roteirizar na ânsia de tirar do papel e pôr na realidade...

tuiu

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O trabalho O Vazio Cego do Medo da Luz do Lado Escuro de Túlio D'El-Rey Almeida foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
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