segunda-feira, 21 de julho de 2008

TUDO.ABSURDO.

Imagem: Criação do mundo - Hieronymus Bosch


A TV anuncia que as utopias estão morrendo. Nesse mundo ninguém sonha mais, digo.
Do outro lado do mundo o placebo liberdade sendo vendido e utilizado como se fosse aspirina. O menino da bolha não é mais ficção ou só um caso raro no interior da Inglaterra, o menino bolha é legião tem todas as raças e cores, mas é reconhecido pela sua palidez.
Até eu muitas vezes sou menino da bolha, fui criado pra ser assim: geneticamente adoentado. Meu filhos espero que não. Nem sei que mundo restará pra eles, que tipo de fumaça estranha vai se dissipar no ar da metrópole que escolherem pra viver. Como se fosse esse o maior do problemas.
É uma descrença atroz que nos atravessa diariamente, uma estupidez insana invadindo os homens, uma crueldade, um prazer em desfazer o outro, centenas de seres fofos que retribuem afeto com golpes de navalha.
Como é possível acreditar, hein? Tudo é sempre tão banal, tudo é sempre: eu e o mundo e foda-se. A pior coisa é acordar cansado e pensar que aquele cara sempre teve razão, que era um puta visionário: leu em letras garrafais isso tudo.
É um absurdo tudo. TUDO. ABSURDO.
Lágrimas pelo barulho das bombas lá fora, e a porra da bomba mais escrota tá dentro de nós, será que ninguém percebe?
Repara bem: esse outro aqui é pra somar, multiplicar. Nada de subtrair ou dividir. Fazer força, empurrar pra frente esse carro velho, essa Belina velha que mal anda.
Parece coisa de idiota,um desabafo do meio da madrugada, saindo como se fosse uma tosse engasgada.
"Através eu vi, só o amor é luz..."
Um mantra batido que ecoa em mim nesse momento, desculpe se incomodo; mas me alegra incomodar as vezes, é o incomodo que faz a gente pensar em solução, quando não incomoda, quando é só mais um outdoor de merda que a gente não percebe, aí não tem graça, aí é só papel colado numa base de metal que mesmo que diga tudo, por não ser notado, diz nada.
...
Da cama ela me olha, vê que escrevo coisas, que numa espécie de transe estou alheio do mundo. Ele conversa com o cosmo, pensou.
Não me censura, acha bonito, me observa ali sentado até o sol raiar e eu achar tudo que escrevi uma bosta, apagar tudo e desligar e o computador para na outra noite começar tudo de novo.
Se ela soubesse que eu sei do seu amor por me ver nu, de madrugada a escrever coisas no computador, não teria a mesma graça, como vou apagar tudo, não vai ter como ela saber.
Confesso também que de canto de olho vejo quando ela pega no sono umas várias vezes e amo isso também. Nosso voyeurismo é tão bobo, tão infantil,mas é nisso aí que percebo o quão simples é o necessário...
Antes de apagar tudo e desligar, quando o sol vai ficando forte na janela, olho outra vez para ela dormindo e canto baixinho:
"Dorme, meu bem, você precisa sonhar, sentir o que eu sinto..."
Embalo dentro dela nossa multiplicação.

TRA-01:43-21/7/2008

2 comentários:

flornoasfalto disse...

Nossa, que sincronicidade telepática! Depois de um jejum depurativo postamos um texto no mesmo dia!hahahaGosto do seu texto. E apesar de criticar tanto, gosto da sua "tristeza"/"angústia", talvez eu esteja percebendo que é o seu combustível (desculpe é q a petrobrás tá patrocinando o seminário de cinema...kkk).Consegui escrever hj depois de ver uma frase no filme "o homem pau-brasil" de Joaquim Pedro de Andrade "Amar é uma vulgaridade!". Adorei, talvez minha adaptação fosse apenas "amar é uma vulgaridade apreciável".Preciso urgentemente conversar banalidades e afins com vc.saudade...:***

Bele K. disse...

A última parte é especialmente bonitinha.;)

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