
Imagem: Adão e Eva - Edward Munch
"A Criação"
Devia reconstruir as coisas, deixar a casa como nova, as portas abertas prontas para acolher o amor novamente.
Mas estava ocupado, desesperado na verdade, queria muito deixar as coisas no lugar, não negou, mas em sua cabeça a idéia de acolher o amor novamente já fazia-o tremer com um pavor estúpido e quase infantil, daqueles que faziam as palavras simplesmente sumir, e as reações mais impactantes deveras próximas à de um rato acanhado frente a uma muralha humana perfazendo-se de dona de casa assustada com vassoura de piaçava na mão.
Completo idiota, dizia aquele outro que já havia passado o mesmo e conseguiu por fim acolher o amor no aconchego simples do lar, por saber que as coisas verdadeiras de verdade são inevitaveis, não adiantariam muradas enormes, portões com mil cadeados, cães de guarda ou outros artificios quaisquer para evitar a entrada de estranhos, quando o amor vem, ele entra justamente pelo caminho da minima possibilidade, onde até o mais sagaz dos estrategistas não havia imaginado, ou seja, inevitavel se esconder no canto da casa, fingindo fazer realidade com poesia, quando é só placebo pra vida, pois é, seu poetinha, o que de fato você sabe de viver, de amor e coisas assim? Seus versos, por mais profundos e belos que possam ser, não irão ser a verdadeira representação da alma e do amor enquanto você permanecer escondido atrás de pseudônimos, heterônimos, sonetos, versos brancos e canções.
Parecia um diálogo com o espelho, seria possível existir ele divido em dois? Um que fere e outro que assopra? Um de verdade e outro agonizando por existir enquanto o outro sufoca?
Quando será que vai bater na porta dele, naquela casa mal assombrada, naquele templo do mau agouro que esconde uma alma de ouro?
Ele acredita em eternidade, compreende? Que é possível ser além disso e isso também o tempo todo. Que ter destino bom de verdade é viver no lá e cá com parcimônia, ser a junção una e verdadeira dos dois, do que fere e do que assopra, do de verdade e do que agoniza por existir.
Mas enquanto não souber abrir as porta, os armários e fazer alguém trazer o sonho para ele fazer a casa, não vão adiantar todos os versos do mundo, poesia de amor sem amor de verdade é placebo, ouça o que eu te digo e tenta dormir em paz, de desejo sincero, espero que na primeira hora da madrugada seu sono seja assassinado com ela batendo a sua porta, fazendo o barro virar gente, você e seu Adão de encontro a sua Eva, criando o mundo.
TRA-19:26-21/2/2007
Mas estava ocupado, desesperado na verdade, queria muito deixar as coisas no lugar, não negou, mas em sua cabeça a idéia de acolher o amor novamente já fazia-o tremer com um pavor estúpido e quase infantil, daqueles que faziam as palavras simplesmente sumir, e as reações mais impactantes deveras próximas à de um rato acanhado frente a uma muralha humana perfazendo-se de dona de casa assustada com vassoura de piaçava na mão.
Completo idiota, dizia aquele outro que já havia passado o mesmo e conseguiu por fim acolher o amor no aconchego simples do lar, por saber que as coisas verdadeiras de verdade são inevitaveis, não adiantariam muradas enormes, portões com mil cadeados, cães de guarda ou outros artificios quaisquer para evitar a entrada de estranhos, quando o amor vem, ele entra justamente pelo caminho da minima possibilidade, onde até o mais sagaz dos estrategistas não havia imaginado, ou seja, inevitavel se esconder no canto da casa, fingindo fazer realidade com poesia, quando é só placebo pra vida, pois é, seu poetinha, o que de fato você sabe de viver, de amor e coisas assim? Seus versos, por mais profundos e belos que possam ser, não irão ser a verdadeira representação da alma e do amor enquanto você permanecer escondido atrás de pseudônimos, heterônimos, sonetos, versos brancos e canções.
Parecia um diálogo com o espelho, seria possível existir ele divido em dois? Um que fere e outro que assopra? Um de verdade e outro agonizando por existir enquanto o outro sufoca?
Quando será que vai bater na porta dele, naquela casa mal assombrada, naquele templo do mau agouro que esconde uma alma de ouro?
Ele acredita em eternidade, compreende? Que é possível ser além disso e isso também o tempo todo. Que ter destino bom de verdade é viver no lá e cá com parcimônia, ser a junção una e verdadeira dos dois, do que fere e do que assopra, do de verdade e do que agoniza por existir.
Mas enquanto não souber abrir as porta, os armários e fazer alguém trazer o sonho para ele fazer a casa, não vão adiantar todos os versos do mundo, poesia de amor sem amor de verdade é placebo, ouça o que eu te digo e tenta dormir em paz, de desejo sincero, espero que na primeira hora da madrugada seu sono seja assassinado com ela batendo a sua porta, fazendo o barro virar gente, você e seu Adão de encontro a sua Eva, criando o mundo.
TRA-19:26-21/2/2007

Um comentário:
bem, francês eu não falo ainda não.. Mas sei de uma coisa... J'adore!!
um beijo
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