domingo, 22 de outubro de 2006

Eu só existo aqui. O resto? É rosto.

Deuses e Mitos. Inimá de Paula. 1983. Xilogravura. Tiragem Especial 13/18. 29x21 cm

*Como se você pudesse falar com você mesmo sendo outro, com muito mais lucidez e muito menos hipocrisia*

Acorda rapaz! Acorda, que você precisa dormir!
De que adianta ficar remoendo madrugada adentro? A manhã te espera, você sabe: esta é implacavel, como sua fome.
Escrever linhas e linhas (de mentiras) não te levará a nada, você sabe: o mundo é implacavel, como a manhã.
Tenho pena dos teus olhos cansados, loucos para que a cadeira fosse deveras acolchoada, e pudesse dormir de verdade.
Acorda que esses teus sonhos de olhos abertos são só tortura do ano que vem, ninguém percebe, mundo cego a sua volta.
Acorda rapaz! Acorda, que você precisa dormir! Acorda pra deixar de ser maldito nesse seu mundo fugidio!
O que te prende nessa cadeira, hein? Me explica o mistério, sei que você não é afeito a sodomia, se fosse eu entederia.
Os dois do quarto ao lado sabem dessa sua vida? Mentiu para eles de novo... Não torna tudo sem graça?
Certo: é sua vida.
Digo pela ultima vez: Idiota, tira a cara daí. Tira o rabo dessa cadeira. Acorda de uma vez e dorme, amanhã é implacavel, como sempre.

TRA-00:42-19/10/2006



*Catecismo*

Quero uma parte disso aí, você deixa? Prometo me comportar, juro, juro, juro, beijo dedos cruzados.
Vi tudinho ontem pela porta entreaberta, não dá pra dizer que foi engano, que entendi mal, que foi efeito de entorpecente...
Sei disso, eu não posso. Mas amo o proibido, é errado?
Antes me prepara um pouco daquilo de ontem, com bastante molho de tomate, para escorrer vermelho no canto da boca e eu possa lamber, me lambusar, adoro.
Começo tirando as meias? Posso sentar enquanto te espero? Agradeço por demais tua hospitalidade, coisa de familia, não?
Tá vendo isso aqui? Sempre gostei de brincar com ponta de faca. Riscava meu nome nas arvores, achava bonito, sonhei até em fazer xilogravura, mas não sabia entalhar como gente, limitei-me a vida de açougue, isso te provoca?
Só matava 5 bois por dia, mais que isso achava exagero. La ganhei gosto por carne mal-passada, não cultivo mais.
Luzes acesas, prato esfumaçado enchendo o quarto de aroma delicioso.
De lamber os beiços... Tua especialidade, coisa que adoro e só você sabe fazer... Quando eu sentir que for minha hora quero que você me cozinhe, desse jeito mesmo.
Me diz: porque com ele? Sinceramente, não soube entender, assisti a tudo atônito, de boca cheia.
Quando as luzes se apagam até entendo, mas dia claro não, senti pontadas de faca nas costas, ou melhor, no corpo inteiro...
Me dolori por completo, não que eu tivesse o direito de entender.
Penso bem, nem tenho o direito de te obrigar a estar aqui. Vou embora, descanse.
Mas porque não quer que eu vá? Já disse, não precisa, juro sob pontadas de faca.
Insiste mesmo percebendo que talvez seja pecado, pena de morte?
Seja feita vossa vontade, aqui na Terra.

TD-RA-01:08-20/10/2006



*História Real Sobre Paleontologia*

Eles arrastaram meio mundo, foi tão fácil...
Capuzes pretos, olhos espirrando ódio, matar, matar, matar, ou morrer; tão facil...
A beleza dela que os move, sim, também têm sua Helena de Tróia.
Coisa pós-moderna, beleza sem par somente vista na tela de um computador, chama-se Tarsila, sua Helena de Tróia tem o mesmo nome da pintora.
Certeza de que por ela, pela Tarsila, por aquela beleza dentro da tela do computador, muitos homens poderiam morrer e matar, somente para poder vê-la banhar-se num maiô retrô, em uma piscina de bolas de plástico.
Resultado: paises entrando em guerra, homem a homem cada um virando bicho, pelo desejo de Tarsila.
Até o dia que uma noticia chega ao rádio, periódicos e televisão: Tarsila morre vitima de vírus de computador.
Que seria dos homens agora? O que iriam fazer? Pelo que iriam lutar?
Foram 3 dias de pura diplomacia, discussões para resolver o que iriam fazer a partir de agora, pelo que iriam lutar. Havia algo que valesse a pena?
Bom senso posto na mesa, foi decretado: nenhum ideal pelo qual valesse sujar as mãos.
Sendo assim, voltaram todos para suas casas e respectivas mulheres, lembraram destas só agora, sob devastação. E essas, coitadas, já quase todas carcomidas: quase não queriam homens, e quando queriam cobravam.
Não nascia ninguém, nem por acidente. Faltou gente pra tanto mundo, e vieram os dinossauros.

TD-RA-01:28-22/10/2006

Um comentário:

[uma antropóloga em marte] disse...

baby!
entao.. a proposta era..
hahha
falo?
não falo!
falo?
não falo...



rs

então ia pedir violão e vinho, iriamos pro solar, junto com duas amigas minha pra tocarmos viola e ver por do sol!!
e dps iriamos pro pelo!
mas porem contudo e entretanto choveu, choveu, e choveu!!
e melou tds as minhas ideias!

enfim

~

beijoka, e como sempre
fã de suas coisas

=*

e continuo odiando essas letrinhas
pq vc n tira isso?

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