Ore moça que a hora chega
Vela este corpo no chão
Percebe as veias sob a pele branca
Muita gente correu por aí
Muita coisa passou e não se viu
Manadas ruidosas de elefantes
Toneladas de pena de pavão
Suor perfumado de mulheres
Água milagrosa do Ganges
Silêncio em estado bruto
Desespero a prestação
Um tanto daquilo de tudo
Que outrora passava
Incólume e desapercebido
Sob a pele branca
Que antes não alva
Ore moça
Mas não muito que inda há o que fazer
Construir uma ponte no Himalaia
Caçar gafanhotos nos esgotos de Paris
Amar alguém na Ladeira da Praça
Dizer adeus aos próximos que se vão
E sobretudo orar por todos
Porque eles como este
Também precisarão
De sua fé
Suas lágrimas
E seu amor desencarnado
tuiu

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