Não falo
Afiava o tempo na unha
Rarefeita, dada ao desatino
Não era afeita a bobagens
Mulher dessas difíceis
De convencer
De arrancar riso
De aceitar lembranças
Mas foi por mim, bicho fugidio
Que resolveu se apaixonar...
E não é que a danada me pegou?
Gaiola dessas sem grilhão
Que prende em vontade própria
Como se houvesse, nessas horas
Qualquer resquício de vontade
que não seja mero efeito
torpe de paixão...
Quis me acostumar
Segurar a vontade em seta
Apontar pro lado certo
Passo largo a caminho de casa...
Mas enjoou...
Eu dela
Ela d'eu
Todo dia era silencio
De não saber piar qualquer um pio que não fosse o ensaiado
Repetindo, repetindo, repetindo...
"Todo dia ela faz tudo sempre igual..." Matracava
Resolvi tomar decisão
Coisa certa, de cabra macho que sou:
Fugi.
Escafedi.
Sumi no mundo.
Dei meu jeito.
É história pra contar sempre que perguntam porque mijo sentado:
Fugi e deixei pedaço...
Diacho de unha afiada!
tuiu

Um comentário:
uau adorei
Postar um comentário