quinta-feira, 12 de abril de 2012

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!" (OB)

Cósmico

Todavia, imensidão assim se faz de mínimas partes, ruínas quase indivisíveis, átomos de poeira cósmica, coisa que está no ar e nunca se percebe. Se ela se distraí olhando as vitrines, é simplesmente porque no reflexo e na imaginação das roupas a enfeitar seu corpo há muito mais gozo do que ater-se à tentativa vã de observar cegamente aquilo que se espalha no ar quase imperceptível.
Mas, cedo ou tarde, porque, meus caros, é totalmente inevitável, dá-se conta dessas mínimas partes na ponta do seu nariz, e demora a esquecer-se de que por anos elas simplesmente inexistiam. Passa a aspirar o ar avidamente, sorvendo desvairada tais átomos de poeira cósmica, até o momento em que simplesmente deixa de percebê-los, e volta a se ater às vitrines, olhando as roupas e o próprio reflexo, na vã tentativa de reparar um ciscozinho na ponta do nariz novamente, sem saber que é na desistência da procura, por ato de mera displicência, que ganhará o dom de repará-los outra vez, e assim a história se segue, até o dia em que a velhice consuma o corpo e fiquem só as lembranças disso que escrevi... escrito nas palavras dela.

tuiu

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O trabalho O Vazio Cego do Medo da Luz do Lado Escuro de Túlio D'El-Rey Almeida foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
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