segunda-feira, 16 de julho de 2007

Não sei dar títulos nem ponto final

Lembra os primeiros versos? Aquele gosto doce do meu sangue em tua boca e minha língua tocando a sua e meu sangue fervendo o seu, nossos corpos numa cama crua imersos na ebulição.
Distrato seus traços mais corretos, e é certo que eu não entendo bulhufas sobre o que você é, de onde vem e o porque de querer estar aqui comigo. Em verdade nem quero saber o porque de fugir do bonito forte pra ficar com o feio fraco que lambe teus pés feito vassalo tosco e você sempre acha pouco, bem pouco e pede mais sempre.
Minha boca formigando com minha língua escovando teus dentes brancos, o céu azul é o teto sobre nós, esse campo imenso e nosso suor molhando tudo, do mesmo jeito que semente e terra: nossos corpos juntos.
Sua fé as vezes me assusta, e eu tão fervoroso me sinto ateu.
Do mesmo modo, me sinto teu e me assusta o quanto sou teu inteiramente esquecendo até de mim. As vezes digo ao espelho, pensando cá comigo mesmo que não me pertenço mais.
Tenho treinado pintura aqui em casa, dezenas de imagens suas espalhadas pelo quarto; tranco sempre a porta pra você não ver e ficar abismada com a feiura dos meus desenhos, mas sei que no dia que eu conseguir te desenhar direito... Pronto: será perfeição e ninguém irá negar a beleza dos meus desenhos, ou melhor, seus.
Tenho num caderninho anotado quantas vezes você me disse eu te amo: hora, minuto, segundo e lugar.
Admito agora que já é loucura demais prum homem só e que você não aguentará muito tempo isso que sinto.
Aguardo pacientemente o dia que não vai mais abrir a porta e desligará o telefone em minha cara.
E choro desesperado de vespera...
Tenho nas mãos a chave e a fechadura da morte.
Um pouco de veneno e minha boca aberta.
Antes fossem seus beijos, adoraria que envenenassem.

TRA-21:59 16/7/2007

Ela disse que odiava, mas eu não conseguia mudar mania velha de adolescente que ganhei com uma chinesa num bordel de Saygon, naquela época haviam muitas chinesas no vietnã, e não me perguntem porque.
O fato é que minha esposa odiava aquilo, dizia que era nojento e que no inicio pensou que iria aguentar, mas agora é completa aversão, tenho dó de mim mesmo dormindo no sofá em noites frias de Julho. Meus pés frios sentem saudades daqueles pezinhos quentes, as unhas pintadas de vermelho explodindo a paixão rubra mais incadescente que eu conheço, eu queria dar adeus à chinesinha de Saygon, ela não valia o dedão do pé pintado de vermelho da minha mulher.
O nosso lulu da pomerânia tinha pena de mim, me olhava tristinho como se dissesse: você não merece isso, eu sei. Titi era um bom companheiro, mas amava dormir entre as pernas dela quando eu dormia na sala, no sofá apertado, com os pés frios, em Julho com uma chuva torrencial caindo la fora e o cobertor fino. Dor nas costas.
Segunda-feira vou ao psicologo, perguntar se tem solução pro problema. Maldito vietnã. Maldita guerra.
Voltei com uma perna mais curta que a outra, e até hoje não sei como. Dizem que foi praga da tal chinesa de Saygon, mas eu duvido, ela me amou pelo menos uma noite, tenho certeza.
Martha quer porque quer me livrar disso, mas as vezes eu gosto, tenho prazer, não nego e não minto.
Eu gosto dela, e do filhinho da gente que apareceu semana passada no ultrassom.
Duas coisas lindas que eu jurei que não perderia nunca.
Martha me ama até com esse pijama ridículo que ganhei dos meus pais no natal passado, mais do que uma mulher: Martha é quase uma santa e ela merece que eu mude completamente.
...
Eu não quero ficar aqui meia hora falando dos meus problemas, preciso saber se tem jeito.
Minha mulher detesta isso, esse meu hábito esdruxulo na cama que a incomoda tanto, nosso filho já apareceu no ultrassom e ela me obriga a dormir na sala, em breve vai ser divórcio, imagine! Eu não posso viver sem ela, essa mulher... Olha a foto que eu guardo na carteira. Essa mulher, é uma santa! Santa Martha, mora em meu quarto com o Lulu da pomerânia entre as pernas.
Hum... Tem certeza que o filho é seu?
Eu já disse: ela é uma santa, nunca sairia com outro homem!
E o tal Lulu da pomerânia?
O cachorro?
Sim, o cachorro.
Mas...
Já pensou nisso?
Não.
Pois pense.
O Titi?
Sim, o Titi.
Não é possível...
Já ouviu falar em zoofilia, meu amigo?
Sim, já. Mas a Martha...
A Martha te corneia com o Lulu!
...
Sabia, era isso! O maldito cachorro tava pegando a Martha enquanto eu dormia na sala!
A Martha me traiu com o Titi...
Entrei no quarto agitado, já havia pego uma faca, seriam os dois no flagra...
Abri a porta devagarzinho, pra não dar na pinta...
Ah rá!
Mas será o Benedito?
A Martha na cama com um chinês.
Não pude usar a faca, saí mancando com raiva.
Resolvi procurar a chinesa de Saygon outra vez para não perder mais essa mania de fazer amor com o lulu da pomerânia.

TRA-10:59 9/7/2007

7 comentários:

flornoasfalto disse...

Sabe que encontrei um papel que jocevaldo esqueceu aqui em casa? Era um poema que ele escreveu no dia que saiu com vc, rafa, mila e wilza e dedicou à vcs. Ele tinha lido pra mim comendo bolo de puba com café...hahaha

Saudade seu chato :p
Dê notícia

uma antropóloga em marte disse...

toc toc
tem gente?

pq será que vc nunca mais deu o "ar-da-graça" por marte??

sinto saudade,
some assim não...

je t'adore!

bises

clarissol disse...

"bahaus today"

uma antropóloga em marte disse...

nossa, nem atualiza mais aqui!!
eu quero a poesia que flornoasfalto diz acima, lembro que era bonita.. bem bonita!

um beijo

uma antropóloga em marte disse...

ah
me parece que lila chega amanhã!!
vamos sair com ela hein?
encontrei com igor ontem!!!! ele perguntou por vc e marcamos de repetir o sorvete da ultima vez!

beijo, guto!!

Letras Latifúndio disse...

sempre os mesmo contos, diferentes é claro, tntas letras, boas preenchidas pra terminar o dia.. gostei..

uma antropóloga em marte disse...

isto está criando teias!!!

atchim!!!










saudade de um chato

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